Pecuária brasileira: o setor mais influente no desmatamento global necessita urgentemente de mais ações

InsightNews / 25 Oct 2024

Para provocar uma mudança relevante no desmatamento global e nas emissões de gases de efeito estufa consequentes, a pecuária é a commodity mais influente do mundo; e o Brasil, o país com o setor mais significativo. O desmatamento para expansão da pecuária no país equivale a quase 60% do desmatamento global causado por pastagens, emitindo anualmente uma quantidade de gases de efeito estufa semelhante à de toda a economia italiana.

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Com a COP16 trazendo corretamente o desmatamento para o centro das conversas sobre natureza e clima – e apenas um ano antes do Brasil presidir a COP30 – não há tempo a perder para agir neste setor crítico.

Apesar disso, o nível de ação corporativa sobre o desmatamento nas cadeias de fornecimento da pecuária é assustadoramente baixo. O Floresta 250 – Pecuária, novo projeto da Global Canopy, avaliou as 175 empresas com maior influência neste setor, observando suas ligações com a produção de carne bovina, couro ou ambos.

Quando comparados ao cenário global, essas descobertas são particularmente graves. Globalmente, 65% das empresas com maior influência no desmatamento ligado à carne bovina e 70% das ligadas ao couro ainda não definiram um único compromisso de desmatamento disponível publicamente para essas commodities.

As empresas do Floresta 250 – Pecuária também estão ignorando amplamente o vínculo intrínseco entre desmatamento e direitos humanos. Apenas três das 175 empresas têm um compromisso disponível publicamente para as questões mais críticas de direitos humanos nas cadeias de suprimentos de commodities.

Os compromissos corporativos são apenas o ponto de partida. Um indicador-chave de ação significativa é se as empresas divulgam os volumes dessas commodities como livres de desmatamento e conversão de ecossistemas. Neste quesito, os resultados também são desanimadores. Nove em cada 10 (91%) empresas não divulgaram publicamente nenhum volume para couro, enquanto 88% não divulgaram publicamente nenhum volume para carne bovina.

Ação direcionada para mudança efetiva

Junto com outros países, o Brasil se comprometeu a zerar e reverter o desmatamento até 2030. Para que essa meta seja alcançada, as empresas das cadeias de fornecimento da pecuária precisam agir agora. Com apenas 12% dos municípios respondendo por 95% do desmatamento relacionado à pecuária no Brasil, há uma oportunidade clara para direcionar ações efetivas.

O primeiro passo para as empresas é avaliar sua exposição ao desmatamento, à conversão de ecossistemas e a violações de direitos humanos associados. Elas devem definir e publicar um compromisso forte com relação ao desmatamento, cobrindo todas as suas operações e/ou cadeias de fornecimento – incluindo fornecedores indiretos – com uma data-alvo ambiciosa para eliminá-lo. As empresas também devem começar a se envolver com seus fornecedores – não importa quão pequenos – e colocá-los em conformidade com o compromisso da empresa.

O setor financeiro, que apoia essas empresas por meio de empréstimos, investimentos e demais serviços financeiros, também tem um papel fundamental a desempenhar na formação de melhores práticas comerciais.

A destruição de ecossistemas naturais alimenta a crise climática e desestabiliza os ciclos hídricos, com consequências cada vez mais visíveis nas manchetes diárias dos jornais, de enchentes a insegurança alimentar e ameaças ao fornecimento de energia hidrelétrica. Com ações estratégicas e oportunas, o Brasil pode fazer avanços significativos para evitar que esses impactos climáticos piorem, e pode liderar a transição global para uma bioeconomia livre de desmatamento.

Estes dados preliminares foram apresentados pela primeira vez na COP16 da Biodiversidade, em Cali, em outubro de 2024. A avaliação de base completa das 175 empresas e 75 instituições financeiras com maior influência nas cadeias de fornecimento da pecuária brasileira será publicada em dezembro.

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